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Violência obstétrica: tema ainda é tabu

A forma como os bebês vêm ao mundo mudou com o passar dos séculos e o parto natural deu lugar a um número enorme de cesarianas no Brasil. Mas você sabia que a violência obstétrica está presente em quaisquer via de parto e até antes do bebê nascer?  Como dizia o renomado cirurgião francês e estudioso do assunto, Michel Odent, “Para mudar o mundo, é preciso primeiro mudar a forma de nascer”.

Para começarmos a tratar sobre o assunto é importante entender alguns conceitos, como o de parto humanizado. Muitas pessoas acreditam que este tipo de parto é aquele feito em ambiente doméstico, sem anestesia com presença de poucos ou nenhum profissional da área de saúde, no entanto se engana. O chamado parto humanizado é de fato aquele em que a mulher é tratada com respeito, desde  o pré-natal até o pós-parto, com cuidado e acolhimento. Aqui todas as escolhas da mulher são respeitadas e ela é informada sobre os procedimentos utilizados, recebe pedido de autorização para utilização de procedimentos diferenciados, garante a presença de acompanhante etc.

A protagonista de seu corpo e do seu parto é a mulher, só ela e ninguém mais. Os médicos, marido e doula são apenas coadjuvantes e ajudantes nesse processo. A cirurgia cesariana também pode ser humanizada se levada em conta esses itens, um ambiente acolhedor, de respeito, tranquilo e seguindo as orientações do Ministério da Saúde, como permitir o contato do bebê com a mãe logo depois do nascimento – caso não haja nenhuma situação emergencial.

Quando entendemos o que é um nascimento respeitoso, vemos o quanto a violência obstétrica está presente em muitos nascimentos no país. Ela pode ser verbal, física, psicológica e até sexual. Alguns exemplos são: proibir a mulher de ter um acompanhante, não prestar informações sobre seu estado de saúde, realizar procedimentos sem consentimento, não oferecer alívio da dor, impedir que a gestante coma, beba ou se movimente durante o trabalho de parto, realizar toque vaginal repetidas vezes, fazer piadas ou gritar impedindo-a de se expressar.

Se você sofreu violência obstétrica ou conhece alguém nesta situação pode exigir o prontuário de atendimento e procurar a Defensoria Pública de sua cidade. As provas podem ser feitas através dos prontuários, receitas médicas, testemunhas e até mesmo pelos laudos periciais.  Além de providências judiciais, você também pode fazer uma denúncia contra a pessoa que praticou a violência em seus Conselhos de Classe..Dependendo da situação, você pode também procurar o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil. Qualquer dúvida conte conosco.  As informações aqui disponíveis podem ser encontradas na cartilha de violência obstétrica do Ministério Público de São Paulo. Para ver a cartilha clique aqui.